Nesta quarta-feira (19), morreu em São Paulo, aos 74 anos, o jornalista e crítico de cinema Rubens Ewald Filho. Ele estava internado, em estado grave, no Hospital Samaritano desde 23 de maio, quando, em virtude de um desmaio após sentir um mal-estar oriundo de uma arritmia cardíaca, sofreu uma queda na escada rolante de um shopping na capital paulista. Desde então, ele vinha passando tanto por tratamento cardiológico quanto por tratamento das fraturas decorrentes do acidente. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do hospital.

Nascido em 7 de março de 1945, em Santos, no litoral paulista, e conhecido como um dos maiores críticos de cinema do Brasil, Rubens Ewald Filho ficou marcado pelas participações em transmissões televisivas da cerimônia do Oscar, sempre atuando, ao longo dos anos, como comentarista principal da premiação no país. Desde a década de 80, emissoras de TV aberta, Globo e SBT, contaram com sua ilustre presença durante as coberturas que fizeram do maior evento de celebração à indústria cinematográfica. Há alguns anos, a TNT, canal fechado do grupo Turner, foi o veículo de comunicação que obteve sua colaboração na condução do prêmio da Academia, tendo o privilégio de contar com seus comentários provocativos e de grande conhecimento da sétima arte – ele dizia ter assistido a mais de 37 mil filmes.

Rubens Ewald Filho foi ator, trabalhando em algumas produções do cinema nacional, e ocupou a cadeira de direção teatral. Ele também exerceu a função de escritor de telenovelas, sendo a mais conhecida delas uma versão homônima do romance literário Éramos Seis, escrito por Maria José Dupré, e cujo texto ele adaptou ao lado de Silvio de Abreu para a extinta TV Tupi em 1977. Ewald Filho ainda chegou a ser diretor de programação e produção da HBO no Brasil, e apresentador dos canais Cultura, Band e Record, além do próprio TNT.

Como jornalista, ele escreveu para veículos impressos como A Tribuna, Jornal da Tarde e Estado de São Paulo, além da revista Veja. Aliás, seu hábito de fazer anotações sobre os filmes que assistia desde criança lhe possibilitou a habilidade de elaborar, com grande esmero, e publicar o Livro Guia de DVD, um periódico com tiragem anual no qual listava todos os lançamentos em home video, e que continha as principais informações concernentes às obras que chegariam ao público na temporada.

Por tudo isso, e muito mais, Rubens Ewald Filho será sempre lembrado como aquele que popularizou a apreciação da crítica cinematográfica no país, também como uma espécie de grande curador de obras clássicas da sétima arte para muitos dos cinéfilos de plantão, e como o “Sr. Oscar”, o apelido carinhoso com o qual ficou conhecido após se tornar o maior mestre de cerimônias da estatueta dourada no Brasil.